segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Hino dos Reis Magos - Gonçalves Dias



(Tela de Vasco Fernandes - Grão Vasco)
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Entre a pobreza e a miséria
Em singela habitação

É nascido o Deus-Menino

Para a nossa salvação.
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Povos e reis, adorai-o,
É nascido o Redentor:

Vem viver, sofrer na terra
Vem morrer por nosso amor.
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Deixou a corte celeste

E as galas ricas dos céus,

Quem entre os homens é Homem,

Quem entre os anjos é Deus.
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Povos e reis, adorai-o,

É nascido o Redentor:

Vem viver, sofrer na terra,

Vem morrer por nosso amor.
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Lá das partes do Oriente,
Deixando os domínios seus,

Vêm os Magos pôr as c'roas,
Aos pés do Menino-Deus.
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Povos e reis, adorai-o,
É nascido o Redentor:

Vem viver, sofrer na terra,
Vem morrer por nosso amor.

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Vem of'recer os presentes

Que a Arábia Feliz produz.

Louvor a Deus nas alturas,

Louvor na terra a Jesus.
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Povos e reis, adorai-o,
É nascido o Redentor:
Vem viver, sofrer na terra,
Vem morrer por nosso amor.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Cilada verbal - Affonso Romano de Sant' Anna



(Tela de Varatojo)
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Há vários modos de matar um homem:

com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra

– envenenada.
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Não é preciso força.

Basta que a boca solte
a frase engatilhada
e o outro morre
– na sintaxe da emboscada.
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O apanhador de desperdícios - Manoel de Barros



(Tela de Portinari)
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Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos,
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tempos e Momentos - Dária Farion



(Tela de W. Maguetas)
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Foram tantos os tempos
Foram tantos os momentos,
Acelerei na velocidade máxima
Vivi os tempos.
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Nem sempre consegui apreender os momentos:
Não lembro o sabor do primeiro cálice.
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Trago no peito a saudade da velocidade,
Piso bem de leve no acelerador
Para contemporizar o momento,
Retardar a despedida.
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Mas agora é o tempo que corre célere:
Aproxima-se veloz a linha da passagem.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Lilases - Pe. Alfredo Vieira de Freitas



(Tela de Neiva Passuello)
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Na primavera à luz do sol poente,
Ou nas lindas manhãs de céu de anil,
Reclinam-se os Lilases docemente,
Debruçados num gesto senhoril.
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Por eles vai passando toda a gente,
Mas os Lilases, num sonhar febril,
Apenas dão perfume ao ambiente
E ficam a cismar o mes de Abril.
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Tão tristes, são imagem da Saudade,
E fazem-me lembrar a mocidade . . .
Ilusões da minha alma sonhadora!
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As flores dos Lilases vão caindo! . . .
São as desilusões dum sonho lindo,
Dum sonho Lindo que sonhei outrora ! . . .
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Beleza - Menotti del Picchia



(Tela de Cézanne)
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A beleza das coisas te devasta
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contundo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.
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E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega...
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
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A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção (sempre a primeira e nunca
repetida) que conduz
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o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Amigo - Roseana Murray


(Tela de Carl Larsson)
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que um amigo se reconheça
sempre
na face de outro amigo
e nesse espelho descanse
seus olhos
e derrame sua alma
como a crina de um cavalo
levemente pousada no tempo
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O nascimento do homem - Vinícius de Moraes



(Tela de Renoir)
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I
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E uma vez, quando ajoelhados assistíamos à dança nua das auroras
Surgiu do céu parado como uma visão de alta serenidade
Uma branca mulher de cujo sexo a luz jorrava em ondas
E de cujos seios corria um doce leite ignorado.
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Oh, como ela era bela! era impura – mas como ela era bela!
Era como um canto ou como uma flor brotando ou como um cisne
Tinha um sorriso de praia em madrugada e um olhar evanescente
E uma cabeleira de luz como uma cachoeira em plenilúnio.
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Vinha dela uma fala de amor irresistível
Um chamado como uma canção noturna na distância
Um calor de corpo dormindo e um abandono de onda descendo
Uma sedução de vela fugindo ou de garça voando.
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E a ela fomos e a ela nos misturamos e a tivemos...
Em véus de neblina fugiam as auroras nos braços do vento
Mas que nos importava se também ela nos carregava nos seus braços
E se o seu leite sobre nós escorria e pelo céu?
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Ela nos acolheu, estranhos parasitas, pelo seu corpo desnudado
E nós a amamos e defendemos e nós no ventre a fecundamos
Dormíamos sobre os seus seios apoiados ao clarão das tormentas
E desejávamos ser astros para inda melhor compreendê-la.
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Uma noite o horrível sonho desceu sobre as nossas almas sossegadas
A amada ia ficando gelada e silenciosa – luzes morriam nos seus olhos...
Do seu peito corria o leite frio e ao nosso amor desacordada
Subiu mais alto e mais além, morta dentro do espaço.
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Muito tempo choramos e as nossas lágrimas inundaram a terra
Mas morre toda a dor ante a visão dolorosa da beleza
Ao vulto da manhã sonhamos a paz e a desejamos
Sonhamos a grande viagem através da serenidade das crateras.
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Mas quando as nossas asas vibraram no ar dormente
Sentimos a prisão nebulosa de leite envolvendo as nossas espécies
 Via Láctea – o rio da paixão correndo sobre a pureza das estrelas
A linfa dos peitos da amada que um dia morreu.
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Maldito o que bebeu o leite dos seios da virgem que não era mãe mas era amante
Maldito o que se banhou na luz que não era pura mas ardente
Maldito o que se demorou na contemplação do sexo que não era calmo mas amargo
O que beijou os lábios que eram como a ferida dando sangue!
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E nós ali ficamos, batendo as asas libertas, escravos do misterioso plasma
Metade anjo, metade demônio, cheios de euforia do vento e da doçura do cárcere remoto
Debruçados sobre a terra, mostrando a maravilhosa essência da nossa vida
Lírios, já agora turvos lírios das campas, nascidos da face lívida da morte.
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II
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Mas vai que havia por esse tempo nas tribos da terra
Estranhas mulheres de olhos parados e longas vestes nazarenas
que tinham o plácido amor nos gestos tristes e serenos
E o divino desejo nos frios lábios anelantes.
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E quando as noites estelares fremiam nos campos sem lua
E a Via Láctea como uma visão de lágrimas surgia
Elas beijavam de leve a face do homem dormindo no feno
E saíam dos casebres ocultos, pelas estradas murmurantes.
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E no momento em que a planície escura beijava os dois longínquos horizontes
E o céu se derramava iluminadamente sobre a várzea
Iam as mulheres e se deitavam no chão paralisadas
As brancas túnicas abertas e o branco ventre desnudado.
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E pela noite adentro elas ficavam, descobertas
O amante olhar boiando sobre a grande plantação de estrelas
No desejo sem fim dos pequenos seres de luz alcandorados
Que palpitavam na distância numa promessa de beleza.
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E tão eternamente os desejavam e tão na alma os possuíam
Que às vezes desgravitados uns despenhavam-se no espaço
E vertiginosamente caíam numa chuva de fogo e de fulgores
Pelo misterioso tropismo subitamente carregados.
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Nesse instante, ao delíquio de amor das destinadas
Num milagre de unção, delas se projetava à altura
Como um cogumelo gigantesco um grande útero fremente
Que ao céu colhia a estrela e ao ventre retornava.
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E assim pelo ciclo negro da pálida esfera através do tempo
Ao clarão imortal dos pássaros de fogo cruzando o céu noturno
As mulheres, aos gritos agudos da carne rompida de dentro
Iam se fecundando ao amor puríssimo do espaço.
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E às cores da manhã elas voltavam vagarosas
Pelas estradas frescas, através dos vastos bosques de pinheiros
E ao chegar, no feno onde o homem sereno inda dormia
Em preces rituais e cantos místicos velavam.
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Um dia mordiam-lhes o ventre, nas entranhas – entre raios de sol vinha tormenta…
sofriam... e ao estridor dos elementos confundidos
Deitavam à terra o fruto maldito de cuja face transtornada
As primeiras e mais tristes lágrimas desciam.
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Tinha nascido o poeta. Sua face é bela, seu coração é trágico
Seu destino é atroz; ao triste materno beijo mudo e ausente
Ele parte! Busca ainda as viagens eternas da origem
Sonha ainda a música um dia ouvida em sua essência.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Natal chegando ...



(Tela de Anita Malfatti)
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"... Dizem que ao chegar a época em que se comemora a Natividade de Nosso Salvador, o pássaro matinal se põe a cantar a noite inteira: nenhum espírito então se atreve a adejar pelo espaço; as noites são saudáveis, os planetas se acalmam; as fadas não atuam, nem as feiticeiras usam o seu poder de encantamento.
Como este tempo é feliz e cheio de graça!"
(Shakespeare, Hamlet)
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Saber viver - Cora Coralina



(Tela de José Ferraz de Almeida Júnior )


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Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
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Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
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E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A um poeta - Francisca Clotilde


(Obra de Guido Viaro)
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Detem a inspiração e o estro ousado,
Passa altivo no mundo o indiferente;
Que te importa o sofrer mais apurado
A beleza, a ilusão, o sonho ardente?
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Tudo é vão, tudo passa, tudo mente:
Do teu canto o vibrar apaixonado
Disfarça muita vez um tom magoado
E se inspira na dor, na dor somente.
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Sofra embora tua alma em desatino
De não ser entendida, atroz destino
Canta e segue a penosa trajetória.
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Dilacerem-te os pés rudes abrolhos,
Canta a luz da alvorada, a cor de uns olhos,
O mar, a imensidade, o amor, a glória.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Auto-retrato - Roseana Murray


(Tela de W. Maguetas)
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falo pouco
entre uma palavra e outra
um rio pára e descansa
suas águas contínuas
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meu coração habita
a terceira margem
onde cavalos e pássaros
fabricam os sonhos
que sonharei
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debaixo das unhas
estão guardados
os dias que virão
novelo de vida
uma ponta amarrada no pulso
a outra ponta perdida
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A rosa branca - Thiago de Mello



Não me inquieta se o caminho

que me coube - por secreto

desígnio - jamais floresce.

Dentro de mim, sei que existe,

oculta, uma rosa branca.

Incólume rosa. E branca.

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Não pude colhê-la: mal

nascera e logo perdi-me

nos labirintos do tempo,

onde desde então pervago

apenas entressonhando

aquilo que sou - e vive

no recôncavo da rosa.

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Sem conhecer-me, padeço

o mistério de existir

um amargo desencontro

comigo mesmo. No entanto,

pesar tão largo se apaga

quando pressinto: na rosa,

mistério não há. Nenhum.

Sem medo de trair-me a face,

posso morrer amanhã.

Extinto o jugo do tempo,

olhos nem boca haverá

- para a queixa e para a lágrima -

se em vez de rosa, de pétala

cinza de pétala, apenas

existir a escuridão.

O vazio. Nada mais.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sei lá... a vida tem sempre razão - Vinícius de Moraes

(Tela de Matisse)
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Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é, por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida
Porque não há nada
Sem separação
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Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, sei lá
Só sei que ela está com a razão
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A gente nem sabe
Que males se apronta
Fazendo de conta
Fingindo esquecer
Que nada renasce
Antes que se acabe
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E o sol que desponta
Tem que anoitecer
De nada adianta
Ficar-se de fora
A hora do sim
É um descuido do não
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Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Bom dia, amigo sol - J. G. de Araújo Jorge



(Tela retirada do site:
sem referência à autoria)
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Bom dia, amigo Sol! A casa é tua!
As bandas da janela abre e escancara,
- deixa que entre a manhã sonora e clara
que anda lá fora alegre pela rua!

Entre! Vem surpreendê-la quase nua,
doura-lhe as formas de beleza rara...
Na intimidade em que a deixei, repara
Que a sua carne é branca como a Lua!

Bom dia, amigo Sol! É esse o meu ninho...
Que não repares no seu desalinho
nem no ar cheio de sombras, de cansaços...

Entra! Só tu possuis esse direito,
- de surpreendê-la, quente dos meus braços,
no aconchego feliz do nosso leito!...
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(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cotidiano - Miguel Torga

(Tela de Luiza Caetano)
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Murchou a flor aberta ao sol do tempo.
Assim tinha de ser, neste renovo
Cotidiano,
Outro ano,
Outra flor,
Outro perfume.
O gume
Do cansaço
Vai ceifando,
E o braço
Doutro sonho
Semeando.
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É essa a eternidade:
A permanente rendição da vida.
Outro ano,
Outra flor,
Outro perfume,
E o lume
De não sei que ilusão a arder no cume
De não sei que expressão nunca atingida.
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Miguel Torga,
in 'Orfeu Rebelde'
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fragmentos - Rita Camargo Caldas


(Tela de Toulose-Lautrec)
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Um dia
O sonhador solitário
Viajando pelos canteiros
De rosas e fantasias
Á procura do Amor,
Tropeçou
Nas armadilhas da dor
Ferido pelas alquimias da ilusão
Banhou-se em lágrimas
Nas difusas águas
Da tristeza e solidão.
E ali,
Encolhido no desânimo
Dos seus dias
Adormeceu o espírito.
Despertado um dia pelo tempo,
O sonhador levantou
E, caminhando de encontro ao sol,
Encontrou a saudade,
A lembrança
E a ternura.
Embalado neste sonho,
Procurou novas fontes,
De amores, alegrias e felicidade
Na busca da verdade
Encontrou a interrogação
Qual é a verdade?
A tua
A minha verdade?
Mais à frente,
Na fonte dos amores,
Escondida entre as pedras
Vislumbrou a felicidade
Dividida em fragmentos
De efêmeros momentos.
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sábado, 24 de outubro de 2009

Por Rubem Alves

(Tela de Adriano Santori)
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"A vida tem sua própria sabedoria. Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. Quem tenta ajudar o broto a sairda semente o destrói. Há certas coisas que têm que acontecer de dentro para fora" .

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Só um me resta - Marina Colasanti

(Tela de W. Maguetas)
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Três quartos da noite já se foram
e só um me resta.
As estrelas me seguiram seu caminho
a madrugada vem ao meu encontro com
passos de silêncio.
Quando o leite do dia for derramado
intensa será a luz
para estes olhos
que só penumbra alcançam.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Módulo de verão - Adélia Prado

(Tela de Neiva Passuello)
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As cigarras começaram de novo, brutas e brutas.
Nem um pouco delicadas as cigarras são.
Esguicham atarraxadas nos troncos
o vidro moído de seus peitos, todo ele
(chamado canto) cinzento-seco, garra
de pêlo, arame, um áspero metal.
As cigarras têm cabeça de noiva,
as asas como véu, translúcidas.
As cigarras têm o que fazer,
têm olhos perdoáveis.
- Quem não quis junto deles uma agulha??
- Filhinho meu, vem comer,
ó meu amor, vem dormir.
Que noite tão clara e quente,
ó vida breve e boa!
A cigarra atrela as patas
é no meu coração.
O que ela fica gritando eu não entendo,
sei que é pura esperança.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

DIVULGANDO ...

I PRÊMIO ARAUCÁRIA DE LITERATURA
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Categorias: Poesia e Conto
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Apresentação: Com o objetivo de estimular a produção literária e também de auxiliar a divulgação de poetas e escritores de todo o País, bem como o de divulgar novos talentos de nossa literatura, o Centro de Ação Literária de Campos do Jordão torna pública a realização do I PRÊMIO ARAUCÁRIA DE LITERATURA, nas categorias Poesia e Conto, cujo Regulamento apresentamos a seguir:
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Período de Inscrições: de 10 de junho de 2009 a 30 de outubro de 2009;
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Forma de participação: Os autores poderão participar de ambas as categorias, com no máximo 02 (dois) textos por categoria. O tema é livre e não há limites de páginas, versos, linhas ou toques. Devem, no entanto, estar digitados ou datilografados.
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Taxa de Inscrição: R$ 5,00 (cinco reais), por texto inscrito (poesia ou conto), valor este que se destina a cobrir despesas gerais do Concurso (divulgação, despesas de correio, aquisição de prêmios, etc).
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Como participar: Os textos, de temática livre, devem ser enviados em 04 (quatro) vias cada um, devendo constar em cada uma delas o título do texto e o pseudônimo do autor, além de cópia do comprovante de depósito. Em anexo, deve ser enviado um outro envelope menor, lacrado, devendo constar na parte externa apenas o pseudônimo, títulos das obras e a categoria concorrente. Na parte interna deste segundo envelope, as seguintes informações:
Pseudônimo, título das obras inscritas, nome completo, endereço com CEP, telefone e e-mail. Importante: o pseudônimo pode ser o mesmo para ambas as categorias. Observação: inscrições incompletas, isto é, que não apresentem os dados solicitados, serão impugnadas e resultarão na imediata desclassificação do candidato, sem prévio aviso.
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Forma de inscrição: somente via postal (Correios), devendo o material ser enviado (valendo a data do carimbo até 30/10/2009) para o seguinte endereço: Centro de Ação Literária de Campos do Jordão, att. Benilson Toniolo, Rua Sebastião de Oliveira Damas, 293 – Jaguaribe, CEP 12460-000, Campos do Jordão, SP. Não serão aceitas inscrições que não forem feitas através dos Correios.
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Premiação: os primeiros colocados de cada categoria receberão troféu e certificado, além de figurarem na Antologia Literária Cidade 2010, editada pelo Escritor e Professor Universitário Abilio Pacheco (www.abiliopacheco.com.br); o segundo e terceiro colocados receberão, cada um, medalha e certificado. Serão escolhidos outros sete textos que receberão certificados de Menção Honrosa.
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Comissão Julgadora: A banca será formada por 03 (três) profissionais de literatura, docentes ou escritores, que entregarão individualmente as avaliações à Comissão Julgadora. A decisão dos jurados é soberana e, sua decisão, inquestionável.
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Divulgação do Resultado: Os três vencedores e os sete classificados como Menção Honrosa serão comunicados previamente do resultado, que será tornado de conhecimento público através de envio de release para a Imprensa (jornais e sites de literatura). A relação dos vencedores estará disponibilizada no blog
http://premioaraucaria.blogspot.com. Não haverá cerimônia de premiação, e as despesas de envio dos prêmios será de responsabilidade da organização do Concurso.
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Dados bancários para depósito da taxa de inscrição: Banco Bradesco, agência 1549-0, conta corrente 14.449-5.
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Observações: Após o Concurso, os textos não serão devolvidos. O Centro de Ação Literária reserva-se o direito de publicar alguns textos participantes, citado o autor, no seu informativo semestral, desde que assim decida.
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Atenção: O Centro de Ação Literária de Campos do Jordão não é uma empresa, e sim uma entidade sem fins lucrativos formada por pessoas que, antes de mais nada, amam a literatura.
Maiores informações:
benilsontoniolo@bol.com.br
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Campos do Jordão, 31 de maio de 2009
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Benilson Toniolo
Centro de Ação Literária de Campos do Jordão
(12) 3662-3763 / 9117-6739
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Lírios de Alma - Pe. Alfredo Vieira de Freitas


(Tela de C. Santiago)
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Gosto tanto dos lírios! Gosto tanto
Do veludo das pétalas mimosas!
Eles são para mim um doce encanto:
Gosto mais deles que das rosas!
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Amo dos lírios brancos a pureza,
Pois são a imagem da minha alma pura...
E amo dos lírios roxos a tristeza,
Que da minha alma são também figura.
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Os lírios roxos como os lírios brancos,
Sem um mimo, florescem nos barrancos,
E lá vegetam sós que nem um monge...
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Assim também vivendo solitário,
Procuro contestar o mundo vário...
Que da Verdade me parece longe...
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(in «Pétalas ao Vento»,
sonetos, Ed.do A., 1985)
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um barco para Ítaca (O Poeta) - Manuel Alegre


(Tela de Norberto Nunes)
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Quando um homem se põe a caminhar
deixa um pouco de si pelo caminho.
Vai inteiro ao partir repartido ao chegar.
resto fica sempre no caminho
quando um homem de põe a caminhar.
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Fica sempre no caminho um recordar
fica sempre no caminho um pouco mais
do que tinha ao partir do que tem ao chegar.
Fica um homem que não volta nunca mai
squando um homem de põe a caminhar.
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Vão-se os rios sem margens para o mar.
Ai rio da memória: só imagens.
O mais é só um verde recordar
é um ficar( sem as levar) nas verdes margens
quando um homem se põe a caminhar.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bem no fundo - Paulo Leminski

(Tela de Renoir)
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No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
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a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo
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extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
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mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Flor de açucena - Thiago de Mello

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Quando acariciei o teu dorso,
campo de trigo dourado,
minha mão ficou pequena
como uma flor de açucena
que delicada desmaia
sob o peso do orvalho.
Mas meu coração cresceu
e cantou como um menino
deslumbrado pelo brilho
estrelado dos teus olhos.
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Imagem retirada do site:
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Companheiros - Mia Couto


(Tela de Marc Chagall)
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quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero ser
a estrada marinha
que prossegue depois do último caminho
e quando ficar sem mim
não terei escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados
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deixo
a paciência dos rios
a idade dos livros
.
mas não levo
mapa nem bússola
por que andei sempre
sobre meus pés
e doeu-me
às vezes
viver.
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hei-de inventar
um verso que vos faça justiça
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por ora
basta-me o arco-íris.
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em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viverdes de menos
mas que permaneceis sem preço.
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companheiros
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Canto Esponjoso - Carlos Drummond de Andrade

(Tela de Salvador Dalí)
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Bela
esta manhã sem carência de mito,
E mel sorvido sem blasfêmia.
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Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.
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Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos,
matizes da luz azul
completa
sobre formas constituídas.
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Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.
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