terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Arte de Varatojo !!!

Compartilho com vocês o belo e expressivo conjunto da obra de Jose Antonio Varatojo!

Apreciem!




sábado, 21 de fevereiro de 2009

Por Machado de Assis ...

(Tela de Di Cavalcanti)
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"No dia em que deus Momo for de todo exilado deste mundo, o mundo acaba".
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

De Chiquinha Gonzaga ...




VOTOS DE UM ÓTIMO CARNAVAL/DESCANSO A TODOS!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Enquanto - António Gedeão


(Pintura de Portinari)
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"Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
e um sargento que lhe volta o corpo
com a ponta do pé para ver como é;
enquanto o sangue gorgolejar das artérias aberta
se correr pelos interstícios das pedras,
pressuroso e vivo como vermelhas minhocas despertas;
enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
órfãs de pais e de mães, andarem acossadas pelas ruas como matilhas de cães;
enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
num silêncio de espanto rasgado pelo grito da sereia estridente;
enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
cobrir o mundo com a sombra escaldante
das suas asas amassando na mesma lama de extermínio
os ossos dos homens e as traves das suas casas;
enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:
ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA"
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A lucidez perigosa - Clarice Lispector


(Tela de Neiva Passuello)
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Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
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Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
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Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
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Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
– essa clareza de realidade
é um risco.
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Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Canção de enganar tristeza - Vinícius de Moraes


(Tela de Paul Gauguin)
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Se a tristeza um dia
Te encontrar triste sozinho
Trata dela bem
Porque a tristeza quer carinho
E fala sobre a beleza
Com tanta delicadeza
Por não ter nenhum carinho
Que ela só existe
Por não ter nenhum carinho
E dá-lhe um amor tão lindo
Que quando ela se for indo
Ela vá contente
De ter tido o teu carinho
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Musa - Sophia de Mello Breyner Andresen


(Tela de W. Maguetas)
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Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
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Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu subito falar
Que me foge de repente
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Imagem - Cecília Meireles


(Tela de W. Maguetas)
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Tão brando é o movimento
das estrelas, da lua,
das nuvens e do vento,
que se desenha a tua
face no firmamento.
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Desenha-se tão pura
como nunca a tiveste,
nem nenhuma criatura.
Pois é sombra celeste
da terrena aventura.
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Como um cristal se aquieta
minha vida no sono,
venturosa e completa.
E teu rosto aprisiono
em grave luz secreta.
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Teu silêncio em meu peito
de tal maneira existe,
reconhecido e aceito,
que chego a ficar triste
de vê-lo tão perfeito.
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E não pergunto nada.
Espero que amanheça,
e a cor da madrugada
pouse na tua cabeça
uma rosa encarnada.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Por Camões ...

(Tela de Paul Gauguin)
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"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
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Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
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O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
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E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía."
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Novelo - Roseana Murray


(Tela de Vladimir Kush)
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Com fina linha prateada
o sonhador borda a sua vida:
na fronteira entre o dia e a noite,
entre uma estrela e outra,
uma palavra e sua sombra,
ergue um castelo de vento,
desfralda as bandeiras da paz.
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