quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Nascimento do Prazer - Clarice Lispector

(Tela de Portinari)
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Trecho
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O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele e nós.
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Um comentário:

Dois Rios disse...

Oi Renata,

Obrigada pela sua resposta. Gosto muito também do blog da Leonor.

"Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo."

Só mesmo a Clarice!

Beijo,
Inês