domingo, 13 de julho de 2008

Papoulas de Julho - Sylvia Plath

(Tela de Monet)
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Ó papoulinhas pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?
Vocês vibram.
É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas.
Nada me queima.
E me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras,
como a pele de uma boca.
Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos,
as repugnantes cápsulas?
Se eu pudesse sangrar, ou dormir !
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida !
Ou que seus licores filtrem-se em mim,
nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor.
Sem cor alguma.
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2 comentários:

eva disse...

Gostei muito, mesmo muito, deste blog.
Tem imenso a ver com o meu modo de ver e estar no mundo.
Pena eu não poder adicioná-lo como blog amigo pois não tem essa opção. Mas coloquei o link.
Parabéns pelo blog: bom gosto, sensibilidade, belas imagens.
Tem tudo de bom!

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Sylvia Plath, poemas e um prematuro suicídio...mas, as papoilas ficaram!
Oi, Renata! O Guimarães Rosa e Diadorim estão lá, sentindo a tua falta...