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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Estudo para uma ondina - Murilo Mendes


(Leonardo da Vinci)
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Esta manhã o mar acumula ao teu pé rosas de areia,
balançando as conchas de teus quadris.
Ele te chama para as longas navegações:
Tua boca, tuas pernas teu sexo teus olhos escutaram.
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Só teus ouvidos é que não escutaram, ondina.
Minha mão lúcida sacode a floresta do teu maiô.
Ao longe ouço a trompa da caçada às sereias
E um peixe vermelho faz todo o oceano tremer.
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Tens quinze anos porque já tens vinte e sete,
Tens um ano apenas…
Agora mesmo nasceste da espuma,
E na incisão do ar líquido alcanças o amor dos elementos.
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sábado, 3 de maio de 2008

O Utopista - Murilo Mendes


(Tela de Neiva Passuello - Caminhos Desencontrados)
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Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro mundo.
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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Montanhas de Ouro Preto - Murilo Mendes

(Tela de Sylvio Pinto - Ouro Preto)


Desdobram-se as montanhas de Ouro Preto
Na perfurada luz, em plano austero.
Montes contempladores, circunscritos
Entre cinza e castanho, o olhar domado
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Recolhe vosso espectro permanente.
Por igual pascentais a luz difusa
Que se reajusta ao corpo das igrejas,
E volve o pensamento à descoberta
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De uma luta antiqüíssima com o caos,
De uma reinvenção dos elementos
Pela força de um culto ora perdido,
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Relíquias de dureza e de doutrina,
Rude apetite dessa cousa eterna
Retida na estrutura de Ouro Preto.
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Imagem retirada do site http://www.decorecomarte.com.br
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