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domingo, 3 de agosto de 2008

Meu Coração - Auta de Souza

(Gravura de Cícero Dias)
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Meu coração é como a noite escura,
Cercada só de dores adormidas,
É como um negro túmulo vazio
Onde repousam esperanças idas.
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Meu coração é como a folha murcha
Que o vento frio desligou da flor,
É como um'ave que se vê sozinha
Sem lar, sem pão, sem vida e sem amor.
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Meu coração é como a nota triste
Que se evola dos sinos magoados,
Quando da Igreja nas serenas torres
A gemer, a gemer dobram finados.
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Meu coração é como a nuvem negra
Que cobre a terra nas manhãs geladas,
É uma pálida andorinha morta
Num leito frio de ilusões passadas.
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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Doente - Auta de Souza

(Tela de Bernardo Cid)
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A lua veio... foi-se... e em breve ainda,
Há de voltar, a doce lua amada,
Sem que eu a veja, a minha fada linda,
Sem que eu a veja, a minha boa fada.
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Ela há de vir, Ofélia desmaiada,
Sob as nuvens do céu na alvura infinda
Do seu branco roupão, noiva gelada,
Boiando à flor de um rio que não finda.
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Ela há de vir, sem que eu a veja... Entanto,
Com que tristezas e saudoso encanto
Choro estas noites que passando vão...
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Ó lua! mostra-me o teu rosto ameno:
Olha que murcha à falta de sereno
O lírio roxo do meu coração!
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