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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Por Graça Pires ...


(Tela de Monet)
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Que cilada flutua sobre a espuma
da língua enrolada em vocábulos?
Com que voz se rompe o centro da desordem,
para deixar passar o poema,
ansioso de uma rua larga?
No lugar em que os rios se cruzam
com os olhos dos poetas,
rodopia o tempo de uma fábula,
por onde se volta à infância,
com a noite dilatada nos olhos
e a boca legendada de contos de fada.
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sábado, 20 de dezembro de 2008

Por Machado de Assis ...



(Tela de Monet)
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"Ou lê o livro até o fim, ou fecha-o de uma vez; abri-lo e fechá-lo, fechá-lo e abri-lo, é mau, porque traz sempre a necessidade de reler o capítulo anterior para ligar o sentido, e livros relidos são livros eternos."
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Meu Deus, me dê a coragem - Clarice Lispector

(Tela de Monet)
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Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Presente recebido da querida poetisa Lêda Yara


Tela de Monet
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O dia do aniversário é especial.
Trazer à luz é proporcionar
o despertar em essência.
Neste dia significativo, celebramos com você
o nascimento deste espaço
que nos acolhe carinhosamente
e distribui emoção a cada alma,
a cada coração que o visita!
Parabéns!
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Muito obrigada Lêda Yara por me proporcionar tamanha alegria
ao ser brindada com seus belos versos.
Carinho meu para você!
Beijos primaveris, Renata.
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Versos - Florbela Espanca


(Tela de Monet)
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Versos! Versos! Sei lá o que são versos...
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.
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Versos!... Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
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Meus versos!... Sei eu lá também que são...
Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez...
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Versos! Versos! Sei lá o que são versos.
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!...
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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Desafio - Orides Fontela


(Tela de Monet)
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Contra as flores que vivo
contra os limites
contra a aparência a atenção pura
constrói um campo sem mais jardim
que a essência.
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domingo, 27 de julho de 2008

Confissão - Mário Quintana


(Tela de Monet)
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Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
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domingo, 13 de julho de 2008

Papoulas de Julho - Sylvia Plath

(Tela de Monet)
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Ó papoulinhas pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?
Vocês vibram.
É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas.
Nada me queima.
E me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras,
como a pele de uma boca.
Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos,
as repugnantes cápsulas?
Se eu pudesse sangrar, ou dormir !
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida !
Ou que seus licores filtrem-se em mim,
nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor.
Sem cor alguma.
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terça-feira, 17 de junho de 2008

Por Alice Ruiz


(Tela de Monet)
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Que o breve seja de
um longo pensar.
Que o longo seja de
um curto sentir.
Que tudo seja leve de
tal forma que o tempo nunca leve
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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Oferenda - Carmen de Melo


(Tela de Monet - Madame Monet and Child)
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Eu te ofereço a minha afinidade
Com teu modo de ser, pensar e agir.
Que eu possa continuar tua bondade,
Por meu olhar, meu gesto e meu sorrir.
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Minha palavra, como a tua, agrade,
Para todos gostarem de me ouvir.
Que eu tenha sempre esta felicidade:
Que eu saiba dar, para saber pedir.
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A mão que escreve, como a tua, seja,
Para que todo coração me veja,
Pura, sincera, corajosa e boa.
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Que tenha honestidade no louvor
E que saiba traçar, com muito amor,
A divina palavra que perdoa.
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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cântico Negro - José Régio

(Tela de Monet)




‘Vem por aqui» — dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: «vem por aqui»!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.

Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por ai! Só vou por onde Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: «vem por aqui»?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: <(vem por aqui»! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou, - Sei que não vou por aí!


ANTOLOGIA POÉTICA
José Régio – Edições Quasi - Lisboa – Portugal - 2001

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Aninha e suas Pedras - Cora Coralina

(Tela de Monet)..

Não te deixes destruir...

Ajuntando novas pedras

e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces.

Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha

um poema.
E viverás no coração dos jovens

e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas

e não entraves seu uso

aos que têm sede.
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Imagem retirada do site:
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