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terça-feira, 11 de março de 2008

Por Ezra Pound


"Minhas intenções eram boas,
mas enganei-me na maneira de alcançá-las.
Fui um estúpido.
O conhecimento me chegou tarde demais...
Muito tarde me chegou a certeza de nada saber..."
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Ezra Pound
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(Tela de Neiva Passuello - Sinfonia em Lilás)
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Envoi - Ezra Pound


Vai, livro natimudo,

E diz a ela

Que um dia me cantou essa canção de Lawes:

Houvesse em nós

Mais canção, menos temas,

Então se acabariam minhas penas,

Meus defeitos sanados em poemas

Para fazê-la eterna em minha voz


Diz a ela que espalha

Tais tesouros no ar,

Sem querer nada mais além de dar

Vida ao momento,

Que eu lhes ordenaria: vivam,

Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,

Rubribordadas de ouro, só

Uma substância e cor

Desafiando o tempo.


Diz a ela que vai

Com a canção nos lábios

Mas não canta a canção e ignora

Quem a fez, que talvez uma outra boca

Tão bela quanto a dela

Em novas eras há de ter aos pés

Os que a adoram agora,

Quando os nossos dois pós

Com o de Waller se deponham, mudos,

No olvido que refina a todos nós,

Até que a mutação apague tudo

Salvo a Beleza, a sós.

(tradução de Augusto de Campos)
(imagem de Km Anderson)