sexta-feira, 8 de maio de 2009

Alvorada - Rita Apoena



(Tela de Neiva Passuello)
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"Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto... até que amanheça".
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Metáforas - Rita Apoena

(Tela de Neiva Passuello)
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sobre o tempo
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Procuro uma câmera
que fotografe o iminente,
e a memória revele as imagens,
pendurando-as na linha do tempo,
para secar.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Mascarados - Cora Coralina


(Tela de Portinari)

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Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tecendo a manhã - João Cabral de Melo Neto


(Tela de Ranchinho)
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Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
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E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
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sexta-feira, 6 de março de 2009

AUSENTE !!!

(Tela de Neiva Passuello)
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Caros amigos e leitores, comunico que por motivos de força maior, estarei impossibilitada de atualizar esse blog com a frequência que gostaria.
Agradeço pela atenção e comentários deixados.
Abraços, Renata.
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quarta-feira, 4 de março de 2009

O sal da língua - Eugénio de Andrade



(Tela de Paulo Ferreira)

.Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
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terça-feira, 3 de março de 2009

As Chaves - J. G. de Araújo Jorge



(Tela de Neiva Passuello)
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Felizes os homens que tem as chaves
porque só encontram portas abertas...
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Como podem tantos homens dormir sossegados e felizes
de portas fechadas,
quando essas portas se fecham para tantos homens
que ficam sempre ao relento
e nunca podem entrar?
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Neste mundo de tantas portas,
quando teremos cada um, a sua chave,
e a sua hora de voltar?...
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